sente. sorri. chora de tanto rir. revolta-te. grita em plenos pulmões. corre por algo. não desistas. constrói memórias. marca a diferença. vive. volta ao início.

sexta-feira

Caminho da Infelicidade

  Eras a minha alma, tão sólida, tão séria é sempre tão profunda.  Eras a consciência que delineava  o caminho certo, que estabelecia os limites da minha vida mas, que, no entanto, também era capaz de os quebrar só para que o meu estado de espírito se sentisse mais rebelde e jovial. Eras tu cada suspiro meu, cada lágrima minha caída pelo rosto, era a tua mão que a limpava. Eras tu o coração que batia dentro do meu peito, coração esse que tem novas razões que nem a própria razão as conhece. Eras tu a curva mais bonita espelhada na minha face... Agora, não és nada, e isto porque decidiste abandonar todas as promessas fundamentais à minha sobrevivência.
                                                                                                   maag






                                                                                       








sábado

amor platónico.

Sinto a necessidade a fervilhar pelo sangue, a vontade de te ver e falar. Penso em ti, a máquina que me faz viver bate cada vez mais rápido e cada batimento é mais forte que o outro. Num respirar trémulo, deparo-me em lágrimas pois não consigo manter a calma e muito menos sei o que fazer. As minhas pernas, como que quisessem tomar controlo da situação correm em tua direção, eu tento parar mas, é mais forte que eu... A necessidade é bastante mais forte. Não estás lá, não estás em lado nenhum. Os meus olhos correm todos os cantos com o intuito de te encontrar para assim me certificar de que não estás mesmo ali e poder continuar. Esta procura constante por ti está a derrubar cada fragmento meu, anteriormente colado, pedacinho a pedacinho. O barulho do bater dentro do meu peito está cada vez mais ensurdecedor e tento encontrar uma solução mas nem concentrar-me consigo. As lágrimas pela cara, correm ao mesmo tempo que imagens e palavras dentro da minha cabeça. Pergunto como é possível, tão ausente seres capaz de me prender a ti. Tudo pára ao fazer essa pergunta. O coração pára de bater, as lágrimas secam, as pernas param subitamente e os olhos, simplesmente param de te procurar e fecham-se por vontade própria. Subitamente apareces tu... tal e qual como me lembrava. As lágrimas, lentamente, voltam a cair, mas desta vez, estão felizes por finalmente estares de volta. Com medo, agarro-te com força para me certificar que não voltas a deixar-me e, se ficar de olhos fechados for a única maneira para te ter aqui, então assim ficarei.



segunda-feira

Arranha-Céus

Tens de me fazer sentir como se nada restasse de mim?
Como se estivesse oca por dentro, como se fosse apenas um ser andante que leva consigo, não na memória, mas sim no coração, todos os momentos que partilhámos juntas?
Tens de me deitar abaixo de cada vez que passas por mim?
Força! Podes arrancar de mim tudo o que tenho, podes partir tudo o que sou, como se fosse feita de papel.
Eu vou levantar-me do chão, tal como fiz das outras vezes.
Ao levantar-me, deixo de te avistar.
Em meu redor, vejo apenas o céu. Céu esse, que chora porque afinal não é só o silêncio que tem fim. Nós tivemos, e ele chora por nós. Apanho lágrima a lágrima, guardo-as comigo, olho para baixo. Estás lá tu. Tu com esse teu sorriso carregado de hipocrisia , olhando para mim sem qualquer sentimento no olhar a não ser nojo. Vais em frente sabendo que te sigo, e ao mesmo tempo tentas derrubar-me. Podes tentar.
Podes tentar jogar comigo esses teus jogos, podes tentar passar-me na meta deixando-me para trás. Mas lá está, "podes tentar", não consegues porque eu não deixo. Acabaste com tudo o que restava de mim da última vez e eu levantei-me do chão como um arranha-céus, e irá ser esse o meu novo método de vida.

quinta-feira


Coração, hoje por fim dei-te ouvidos e cheguei à conclusão de que, afinal, as palavras que gritavas dentro de mim nestes últimos dias, valiam a pena serem expelidas. Confesso que não te queria ouvir, sempre dei mais prioridade à consciência e sempre te calei por medo que causasses estragos... mas hoje percebi que, tu e eu, dependemos um do outro e que, ao ignorar-te, estava a fazer-te sucumbir. Hoje gritaste comigo, fizeste-me entender que nada está perdido, apesar de tudo. Ouvi-te com toda a atenção e por fim, como que se o tempo parasse naquele mesmo momento, vi-me à beira do abismo. O abismo da vergonha.Oh coração, aí percebi o erro que cometi ao fechar-te a sete chaves, juntamente com a minha alma. Sinto vergonha por não ter gritado como me disseste em dias passados, sinto vergonha por não ter sido capaz de ter dito "adeus" mais cedo, a quem não merecia a mínima atenção e, no entanto, era quem mais a recebia. Vergonha por ter feito o papel de outra personagem que não a minha e, sobretudo, de não ter sido capaz de interpretar os que ao meu lado caminhavam, sempre com uma máscara. Mas, meu grande amigo, prometo aqui, para o bem dos dois que, nunca mais irei fechar os olhos ao que mais nos amargura e que, a partir de hoje, seremos nós outra vez. Obrigada por me ajudares a tomar esta decisão, que por sua vez, é a mais acertada.