sente. sorri. chora de tanto rir. revolta-te. grita em plenos pulmões. corre por algo. não desistas. constrói memórias. marca a diferença. vive. volta ao início.

quinta-feira

Depois de muitas vírgulas, chega um ponto final.

Pensei que já te conhecia como conheço a palma da minha mão mas, estava redondamente enganada. Quanto mais penso que não posso ficar ainda mais desiludida, tu marcas sempre mais pontos (negativos, para variar). Com esta tua ausência, pensei que, quando o nosso reencontro chegasse, iríamos esquecer todos os nossos problemas passados e que iríamos começar uma nova história.
Por vezes, vêm-me "flashbacks" à cabeça, e a principal e que mais me toca, é aquela em que tu me davas a mão fortemente, garantido-me que nada me iria acontecer. Lembro-me de todos os bons momentos que passámos, de todas as brincadeiras e conversas, beijinhos e abraços e, de tudo o que fazíamos, o que eu mais gostava era quando me levavas à escola. Eu chorava todos os dias porque não queria ir... mas ver-te lá do outro lado das grades a olhares para mim com esses teus grandes olhos castanhos carregados de orgulho... Oh, isso dava-me forças para aprender o abc e decorar a tabuada de trás para a frente! 
Mas tudo mudou e, enquanto escrevo este texto, cai-me uma substância dos olhos a que muitos denominam "lágrimas" mas eu, vou chamar-lhe repugnância. Isto porque TU, foste desumano e quiseste seguir em frente e criar uma nova história onde eu não entro e fazes-me sentir excluída.
 Como toda a gente, eu errei, e como toda a gente, eu precisei de alguém que me amparasse as quedas e, de todas as mãos que lá vi estendidas, aquela que me segurava quando me levava à escola, ou me fazia a habitual "festinha" à noite quando me ia aconchegar na cama, não estava lá. Tu nunca estás lá, nem nos bons ou maus momentos. Apesar das boas memória que guardo tuas, o presente reina sempre, e aí chego à conclusão que, o passado é apenas isso... o passado. São apenas memórias e não passam disso. Boas memórias que gostava de revive-las e, por instantes, recordar o que é ter-te, abdicando do meu presente. Gostava de te poder contar como foi o meu dia na escola, o que aconteceu, gostava de voltar a rir contigo, gostava de voltar a ter-te comigo, tal como quando eu era a menina dos teus olhos, a tua princesa... mas tu não queres nada disto e eu, já devia de o saber. Vivi na ilusão de que irias mudar, mas mais uma vez, caí no erro. Queria mostrar-te o que aprendi e como estou crescida psicologicamente... E por isso, eu vou deixar de sentir repugnância por ti, e para isso, é preciso deixar de pensar em ti e em todo o mal que me fizeste, quando decidiste virar a página criando um mundo só teu. No entanto, eu amo-te e espero que estejas bem, pois não te desejo mal nenhum e se tenho esta educação não foi graças a ti, pois desapareceste já à dez anos.
Para ti, "Pai".

2 comentários:

  1. Mais uma vez o texto esta perfeito ! Se alguém ainda tinha duvidas que tu nos outros texto escrevias com o coração, dizendo tudo o que te vinha na alma, este texto tira as duvidas todas ! Pois disseste tudo o que te vem na alma, e mesmo que quem te conheça saiba que é raiva, transformar-te essa raiva toda num texto magnifico, onde sei que muita gente que o leia ficará com vontade ou até chorará mesmo :)
    Continua a escrever amor, transformas os teus sentimentos em textos perfeitos que merecem ser valorizados @
    ass: márciiia

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  2. Há dias que nos apetece gritar sem parar para que a pessoa que gostaria-mos de ter mais perto de nós ouça, e sinta o que nós sentimos com a sua ausência. Depois de atenuar a repugnância, depois de deitar-mos lágrimas sem para e de as limparmos do nosso rosto com a nossa própria mão, vem a noção de que o passado não volta ou nunca existiu, foi um sonho do qual acorda-mos todas as vezes que esse ser nos paira no pensamento, de todas as vezes que chega sem bater, sem aviso, sem permitirmos tal aproximação.. vêm-se muitas vezes no direito, sem o ter ... simplesmente falha consecutivamente... continua amor :)

    Acm (L)

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